quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

...É que nem colher tampa a panela


Ernandes de Oliveira

Vou contar uma história que nem é mentira
A colher, a tampa e a panela
Ninguém me disse, era só eu que ouvida
Enquanto a comida ia ficando pronta
Olha só o que a poesia apronta
Acredite você, eu vi a colher com a tampa a toda prosa
Estavam as duas deitadas no fogão
Elas queriam curtir aquele calorão
Pois não era ainda verão
Dizia a tampa para a colher
Toda panela tem a sua tampa
E essa daí e a minha mulher
A colher, toda cheia, que era gostosa
Dizia que bom mesmo era o prato cheio até a tampa
A panela enciumada levando alimento apimentado
Interrompeu a prosa, pois não tinha papas ainda
Nessa cozinha, o fogão é do bom homem
Não importa se é colher ou tampa
Quem não trabalha não come
E eu já estou por aqui quase fervendo
Então vamos logo que a tampa só é coisa rasa
Só serve pra proteger ou reter calor
Se não, o alimento, azeda ou perde sabor
Amiga colher, deixe de mexerico com meu tampico
Faça logo sua parte e mexa esse cozido
Depois a senhorita deveria saber do seu namorado garfo
Não gosto de fofoca, mas tá na moda o recado
A mesa, estava garfo e faca, os dois felizes, comendo no mesmo prato
Sabe como é né, quem come junto, vive junto
Quando a colher dá as ordens, o garfo não come fora com a faca
Eu sei curtir tempero com a tampa não me destempero
Deixe em paz a minha tampa
com ela, tampo e destampo a todo momento.





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