A colher com sua corcunda
Toda curvada
Jurava que
era sinuosa
Na verdade
não era nada
Era só uma
colher de prata
sozinho não pegava salada
tinha muito que aprender
com a colher disse que não ia ser
sua parceira agora é a faca amolada
A faca era esguia desse jeito
se amolavam não tinha fingimento
não importava se tinha o garfo
pois o bife ela cortava no ato
A tampa tinha complexo de acessóriotinha muito que aprender
com a colher disse que não ia ser
sua parceira agora é a faca amolada
A faca era esguia desse jeito
se amolavam não tinha fingimento
não importava se tinha o garfo
pois o bife ela cortava no ato
Por isso, só
se satisfazia quando impunha o seu limite
ela gostava sim
da ideia de ser teto
Acho que no
fundo, a panela e a tampa escondiam algo dentro
Devia ser
algum alimento com coentro
A panela serena não gosta de dieta
Ela se
revela cheia no prato
Uma
nostalgia mora no seu interior
Pois, a
sábia amassada, dizia que com calma
A velha é
que faz comida boa
O fogão era sim grande amigão
O fogão era sim grande amigão
Sabe dar
calor como ninguém
O único
problema é que não tolera quem passa do ponto
Esses, ele
torra mesmo
Não importa
se é torresmo
Porque frita
do mesmo jeito
O alimento tem massa física
E o seu aroma
e a parte metafísica
Mas o aroma
não respeita tampa
Porque o
meio físico não prende imaginação
Aroma
conhece quem lhe dá visibilidade
Esse, não tem
olhos nem visão,
O nariz enxerga
sim, mas com a imaginação
O poeta que faz versos com alimentação
Pode não ser
amor ou solidão
É só um
barrigão maior que a imaginação
Então nesses
casos sua musa inspiração
Se oferece nua
como uma grande refeição

"O Poeta, o Alimento, o Fogão..
ResponderExcluirA Panela e a Tampa
Como é que se comparam as fomes?
Como é que eu, logo eu,
vou meter a Colher?"
Parabéns aos escritos, sempre!